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Insights · Estratégia de IA

Em quais áreas investir em IA primeiro?

A lista de ideias de IA de uma empresa média é maior do que a capacidade do time. O que separa quem captura valor de quem só coleciona pilotos é a ordem em que as coisas são feitas.

26 set. 2026 · 7 min leitura

O problema não é falta de ideia

Na pesquisa global da McKinsey de 2026, quase nove em cada dez respondentes dizem que a empresa usa IA regularmente em pelo menos uma função. Só 37% atribuem algum impacto no EBIT ao uso de IA, e cerca de 6% atribuem à IA 5% ou mais do EBIT e relatam valor significativo. Segundo a mesma pesquisa, esses cerca de 6% se distinguem por redesenhar processos em torno da IA e por ter a alta liderança visivelmente comprometida.

Nenhum desses sinais é "ter mais ideias". Na nossa leitura, escolher bem vale mais do que ter muitas opções.

De um programa real, anonimizado

Num programa de dados e analytics de uma grande empresa, os workshops com as áreas renderam mais de 20 iniciativas: previsões, painéis, modelos, automações. A pergunta deixou de ser "o que dá para fazer com IA" e virou "o que fazer primeiro". A resposta veio de uma matriz simples, com critérios escritos e pesos explícitos, que separou as iniciativas em ondas.

O que costuma dar errado

  • Ganha quem grita mais. A área com mais voz leva o time, e a iniciativa com mais valor espera.
  • Ganha a ideia mais vistosa. O projeto que rende uma boa apresentação passa na frente da previsão de demanda que de fato mexe na margem.
  • O custo do dado aparece tarde. Boa parte do esforço de uma iniciativa de IA costuma estar em achar, limpar e juntar o dado, e isso só fica claro depois que o projeto começa.
  • Só quick wins. Um portfólio feito só de ganhos rápidos não deixa o time mais capaz para o projeto grande que vem depois.
  • Ninguém do negócio assina. Iniciativa sem dono de negócio vira piloto que não entra em produção.

Como decidir: esforço × impacto, com critérios escritos

Cada iniciativa recebe quatro notas de 1 a 5, sempre com a régua escrita ao lado.

Esforço

  • Disponibilidade do dado (peso maior): 1 = estruturado, num banco conhecido; 3 = existe, mas espalhado ou semiestruturado; 5 = descentralizado, não estruturado ou inexistente.
  • Horizonte até o valor: 1 = cerca de 3 meses; 3 = de 6 a 12 meses; 5 = jornada de mais de um ano.

Impacto

  • Valor para o negócio (peso maior): 1 = ganho marginal; 3 = melhora relevante num processo; 5 = muda a forma de operar.
  • Aprendizado para o time: 1 = repete o que o time já sabe; 3 = amplia o repertório; 5 = abre uma capacidade nova.

Esforço = 0,7 × dado + 0,3 × horizonte. Impacto = 0,7 × valor + 0,3 × aprendizado. O resultado vira um mapa com quatro regiões:

  • alto impacto e baixo esforço: primeira onda;
  • alto impacto e alto esforço: apostas estratégicas, com piloto e um marco de decisão;
  • baixo impacto e baixo esforço: baixa prioridade; só entram para aprender, se ensinarem algo novo ao time (aprendizado 4 ou 5);
  • baixo impacto e alto esforço: fora.

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    Três cuidados que aprendemos usando a matriz

    1. Os pesos mudam o ranking. Troque 70/30 por 50/50 e a ordem das iniciativas muda; na ferramenta acima dá para ver acontecer. Por isso os pesos precisam ser decididos antes, em conjunto, e não ajustados depois para confirmar a preferência de alguém.
    2. Nota vazia não é nota. Já vimos uma planilha de priorização em que uma célula em branco virava a nota máxima por causa de uma fórmula, e uma iniciativa sem avaliação subia no ranking sem ninguém perceber. A ferramenta acima deixa fora do mapa quem está sem nota.
    3. É uma escala ordinal. Um 4 não é exatamente o dobro de um 2, e a média ponderada é uma aproximação. A matriz ordena a conversa; ela não mede valor em reais. Iniciativas perto do 3 pedem discussão, não veredito; dentro de cada região, a ferramenta ordena pela diferença entre impacto e esforço. E as iniciativas da primeira onda ainda precisam de um caso de negócio com números.
    Isso vale para a sua empresa se…
    • a lista de iniciativas de IA é maior do que a capacidade de entrega;
    • a prioridade é decidida por quem tem mais voz, e não por um critério escrito;
    • projetos param por falta de dado depois de começar;
    • há pilotos de IA que nunca chegaram à operação;
    • a diretoria pediu "uma estratégia de IA" e ainda não existe um portfólio priorizado.
    Próximo passo

    Conduzimos a priorização com as suas áreas: workshops curtos, a matriz preenchida com critérios acordados e um portfólio em ondas, com a primeira iniciativa escopada para piloto. Se a conclusão for que ainda não é hora de IA, dizemos isso.

    Referências

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